Monografia - Identidades Transnacioanais - Valadarenses em Boston
Introdução
Este trabalho ultrapassa o debruçar teórico sobre as Relações Internacionais a medida em que relata uma experiência empírica da autora. A escolha do tema desta Monografia aconteceu em janeiro de 2002, em Boston, no consulado Geral do Brasil, em uma conversa com a cônsul adjunta naquela época, em que uma amiga que estava comigo, referiu-se a identidade da comunidade brasileira como possível tema de pesquisa. Me apaixonei pelo assunto e a partir de então o desenvolvi dentro do meu ponto de vista. Por vivenciar a realidade dessa comunidade como natural de Governador Valadares e com membros da família vivendo na região da grande Boston, foi que delimitei meu campo de pesquisa.
O jeito encantador que essas pessoas têm de sentir e projetar o Brasil a milhares de quilômetros de distância serviu de motivação para cada área pesquisada neste trabalho. Bem verdade, que o motivo inicial desta pesquisa era estudar e analisar o comportamento e as adaptações e modo de vida das famílias desta comunidade. Em especial op papel dos jovens imigrantes que se tornaram “adolescentes americanos” dentro de lares brasileiros. Mas, infelizmente, por falta de pesquisas e fontes de referência, esse objetivo foi postergado.
A pesquisa aqui apresentada pretende mostrar as comunidades de imigrantes brasileiros, adaptando-se da melhor forma à vida no exterior. O objeto deste projeto remete às diversas representações que marcam a “identidade transnacional” dos brasileiros migrantes que vivem nos EUA. De um lado, depara-se com a diversidade e a fragmentação cultural. De outro, a busca de um sentimento de identidade acaba projetando uma construção (ou desejo de construção) de uma identidade unificada. Desse modo, o trabalho será marcado por essas duas tensões (dispersão e ajuntamento) que, embora contraditórias, constituem essa identidade transnacional.
Sendo assim, a construção metodológica atentou-se para esses dois movimentos - a diversidade e a unificação – de modo a identificá-los no terreno da empiria através da leitura de trabalhos, casos e entrevistas, trabalhados reflexivamente. Portanto, recorte empírico e a construção analítica caminham, nesse projeto, lado a lado, um alimentando o desenvolvimento do outro. Noções e conceitos teóricos são retomados para dar embasamento ao estudo dos migrantes. Desse modo o trabalho busca a construção da identidade desses brasileiros – que aqui nasceram, mas que possuem influencias distintas daqueles que por aqui permaneceram ao longo de suas vidas.
Para tornar viável a comprovação ou não da hipótese acima levantada foram utilizados os seguintes procedimentos de coleta: pesquisa documental: artigos de jornais, revistas (sobretudo as especializadas no tema), pesquisa na Internet, resultado de pesquisas (senso, entre outras); pesquisa e leitura de registro de situações cotidianas: observação da vivência comunitária das associações da comunidade brasileira em Boston (“Centro do imigrante brasileiro”, “Conselho dos cidadãos”, entre outras).
Esse trabalho estruturou-se a partir da idéia de identidade pensada como “uma produção que nunca se completa”, que está sempre em processo, que é construída e está sempre em constante construção. Como resultado dessa construção e da possibilidade de interação entre identidades, pensamos a aqui denominada “identidade transnacional”, que é explicada como o produto – em constante modificação e interação – da hibridação de culturas distintas. Nessa pesquisa, o caso específico é o da comunidade de imigrantes brasileiros residentes da região da Grande Boston, implicando na hibridação da cultura brasileira com a norte-americana.
Pode-se entender que a possibilidade de ir e vir do migrante é análoga ao movimento de um pêndulo, que pode assumir diferentes lugares e adquirir diferentes velocidades. Sabendo-se que é difícil precisar o posicionamento do pêndulo em movimento, pode-se entender a complexidade em se limitar uma identidade, uma vez que ela está em constante processo de construção, nunca parada, mas, sempre transnacionalizando-se.
O plano de monografia apresenta um estudo de caso sobre a comunidade dos imigrantes brasileiros, residentes hoje na região da Grande Boston (que concentra uma significativa quantidade de migrantes brasileiros), provenientes da região leste de Minas Gerais, principalmente da cidade de Governador Valadares. Essas pessoas migraram no em maiores quantidades durante a década de 1980 e hoje têm em grade parte, de 10 a 20 anos de “América”, ou seja, o exemplo dessa identidade transnacional, resultante do convívio simultâneo de dois mundos formou um ambiente indistinguível, sem fronteiras, transnacional.
A identidade transnacional para os migrantes é definida como um processo pelo qual os imigrantes elaboram e sustentam relações sociais multi-entrelaçadas que juntam as suas sociedades de origem e recepção. Esses processos são chamados de transnacionais para dar ênfase ao fato de que muitos imigrantes, hoje, constroem campos que atravessam fronteiras geográficas, culturais e políticas. Esses migrantes são os denominados transmigrantes. (Sales, 1999)
Tendo-se como objeto de estudo a identidade transnacional existente nessa comunidade brasileira que se formou no norte dos EUA, buscar-se-á a análise da identidade da comunidade de imigrantes brasileiros que se formou dentro dos padrões americanos, mas, todavia, vivendo em “lares brasileiros”, um ambiente em que se convive com a cultura brasileira e é integrado por brasileiros, independente de onde esse lar esteja localizado. Esse estudo também procura focar a hibridação das culturas brasileira e americana resultante das experiências vivenciadas por esses migrantes, as assimilações e ressignificações sociais, econômicas, políticas e especialmente culturais que fazem parte da formação da identidade dessas pessoas.
A Monografia apresenta-se em três capítulos, sendo que o primeiro deles diz respeito à formação de Identidades híbridas. Isso se dá através da Identidade/ Identidade nacional que sofre alterações no sistema internacional, que ocasionam na quebra da identidade nacional. A partir daí verifica-se através de valores e símbolos que circulam pelo Sistema Internacional, das identidades novas e da relação dessa com a intersubjetividade, como foi possível essa quebra. Ou seja, traz a partir do desenvolvimento e da diversidade da idéia de identidade e da apresentação da relação dessa com cultura e comunidade, no âmbito das Relações Internacionais, a possibilidade de construção de uma identidade transnacional.
O segundo capítulo trata dos Fluxos Migratórios e relaciona esses à circulação de identidades. A partir de uma discussão geral dos fluxos migratórios, enfatiza-se a discussão de redes, focalizada sobre as chamadas redes sociais. Então, relata-se a o fenômeno da migração para os EUA, com enfoque nos fluxos migratórios provenientes de países subdesenvolvidos. Para isso, toma-se a discussão dos problemas de identidade, e da idéia de comunidades de origem e de comunidades de destino. Daí em diante, especifica-se o caso de pesquisa, através do fluxo migratório Brasil/ EUA, e mais precisamente das redes sociais que levam as pessoas da cidade de Governador Valadares para a região da grande Boston.
O último capítulo traz a formação da comunidade de imigrantes brasileiros na cidade de Boston, e os grupos de apoio que estão se desenvolvendo lá visando melhorar a qualidade de vida das pessoas dessa comunidade. Para isso descreve-se a diversidade de serviços e atividades que estes grupos desenvolve e como isso tudo tem repercussão no fortalecimento cultural e na construção da identidade desses brasileiros que vivem em Boston. Por fim, conclui-se a pesquisa através da percepção do processo de aculturação desses imigrantes, e da possibilidade de construção de uma identidade transnacional, aqui não comprovada.
Na opinião desta autora o trabalho lança um olhar sobre a força da identidade e da cultura brasileira presente em imigrantes que, mesmo estando a milhares de quilômetros de distância, buscam de várias maneiras adaptar seu lugar de destino de maneira a manter vivo seu sentimento de pertencimento a origem. Traz uma idéia interessante de adaptação e assimilação de novos padrões culturais e identitários, com o propósito de sobrevivência, de se ajustar num país diferente, alimentando a esperança de uma melhora das condições de vida no Brasil.
A partir daqui começam dados que eu tirei do globo repórter e gostaria de usar
Bandeiras, camisetas, bonés, churrasquinho e água de coco. Podia ser qualquer festa de rua no Brasil, mas fica a mais de sete mil quilômetros de casa, no Hemisfério Norte, em um subúrbio da Grande Boston. Brasileiros de todas as idades são imigrantes - a nova cara da diáspora brasileira. Eles saem do Brasil ao ritmo de cem mil por ano. Fogem do desemprego. Buscam um sonho - boa remuneração, casa própria, educação para os filhos - difícil de atingir.
Hoje, oficialmente, o número desses brasileiros transplantados para outras terras chega a dois milhões. A maioria se arrisca a viver ilegalmente em países do primeiro mundo. O preferido: Estados Unidos.
Brasileiro: brazilian. No maior dicionário da língua inglesa, a palavra virou sinônimo de depilação à cera para usar biquíni. O termo brazilian bikini wax foi inventado no J.Sisters (um famoso salão de beleza em Nova York, de proprietárias e funcionarias brasileiras). Nove entre dez estrelas de Hollywood vão aprender no salão os segredos da beleza da mulher brasileira.
Os imigrantes brasileiros vão levando os parentes. Criam famílias numerosas nos Estados Unidos. Nem o censo americano, nem as autoridades do Brasil sabem quantos brasileiros vivem nos Estados Unidos. O número oficial, 600 mil, é mera especulação. Pelo menos o dobro disso vive ilegalmente no país.
Desde 11 de setembro a situação dos imigrantes ilegais nos Estados Unidos piorou muito. A fila na imigração ficou gigantesca. É bem mais difícil tirar qualquer documento. Antes os brasileiros ilegais conseguiam a carteira de motoristas, que é o documento básico de identidade no país. Agora, tirar essa carteira ficou quase impossível.
Na região leste de Minas Gerais, a cidade de Governador Valadares, praticamente inventou a emigração brasileira para os Estados Unidos na década de 60 e até hoje continua exportando mão-de-obra para lá. Segundo um cálculo da prefeitura de Governador Valadares, para cada seis valadarenses que vivem hoje na cidade, existe pelo menos um morando e trabalhando no exterior, principalmente nos Estados Unidos.
Por todo lado, há sinais exteriores de riqueza de quem trabalha no exterior. Um bairro de classe média alta em Governador Valadares foi quase todo construído com o suor de brasileiros derramado longe de casa. O corretor de imóveis João Lomeu faz 60% dos seus negócios com valadarenses "estrangeiros". Só em uma obra, 20 trabalhadores constroem para investidores que hoje vivem na Inglaterra e nos Estados Unidos. Imóveis para alugar: pé-de-meia preferido dos emigrados.
O que é ser brasileiro1999 Aqueles que deixaram o Brasil e foram tentar a sorte bem longe de casa enfrentam um desafio: manter a identidade, a cultura brasileira, numa terra estranha. O samba cantado e desfilado nas ruas de Boston diverte, aproxima, faz os brasileiros que vivem fora se sentirem mais perto de casa. Uma maneira de matar as saudades.
Na avenida, a porta-bandeira encanta os nova-iorquinos. Nancy Bastos é uma carioca que trabalha na atividade mais comum entre as imigrantes brasileiras. “Comecei fazendo faxina. Ainda estou na faxina, mas também já faço trabalho de baby sitter, acompanho uma senhora de 92 anos quatro vezes por semana e até danço de porta-bandeira”, ela conta.
Este trabalho ultrapassa o debruçar teórico sobre as Relações Internacionais a medida em que relata uma experiência empírica da autora. A escolha do tema desta Monografia aconteceu em janeiro de 2002, em Boston, no consulado Geral do Brasil, em uma conversa com a cônsul adjunta naquela época, em que uma amiga que estava comigo, referiu-se a identidade da comunidade brasileira como possível tema de pesquisa. Me apaixonei pelo assunto e a partir de então o desenvolvi dentro do meu ponto de vista. Por vivenciar a realidade dessa comunidade como natural de Governador Valadares e com membros da família vivendo na região da grande Boston, foi que delimitei meu campo de pesquisa.
O jeito encantador que essas pessoas têm de sentir e projetar o Brasil a milhares de quilômetros de distância serviu de motivação para cada área pesquisada neste trabalho. Bem verdade, que o motivo inicial desta pesquisa era estudar e analisar o comportamento e as adaptações e modo de vida das famílias desta comunidade. Em especial op papel dos jovens imigrantes que se tornaram “adolescentes americanos” dentro de lares brasileiros. Mas, infelizmente, por falta de pesquisas e fontes de referência, esse objetivo foi postergado.
A pesquisa aqui apresentada pretende mostrar as comunidades de imigrantes brasileiros, adaptando-se da melhor forma à vida no exterior. O objeto deste projeto remete às diversas representações que marcam a “identidade transnacional” dos brasileiros migrantes que vivem nos EUA. De um lado, depara-se com a diversidade e a fragmentação cultural. De outro, a busca de um sentimento de identidade acaba projetando uma construção (ou desejo de construção) de uma identidade unificada. Desse modo, o trabalho será marcado por essas duas tensões (dispersão e ajuntamento) que, embora contraditórias, constituem essa identidade transnacional.
Sendo assim, a construção metodológica atentou-se para esses dois movimentos - a diversidade e a unificação – de modo a identificá-los no terreno da empiria através da leitura de trabalhos, casos e entrevistas, trabalhados reflexivamente. Portanto, recorte empírico e a construção analítica caminham, nesse projeto, lado a lado, um alimentando o desenvolvimento do outro. Noções e conceitos teóricos são retomados para dar embasamento ao estudo dos migrantes. Desse modo o trabalho busca a construção da identidade desses brasileiros – que aqui nasceram, mas que possuem influencias distintas daqueles que por aqui permaneceram ao longo de suas vidas.
Para tornar viável a comprovação ou não da hipótese acima levantada foram utilizados os seguintes procedimentos de coleta: pesquisa documental: artigos de jornais, revistas (sobretudo as especializadas no tema), pesquisa na Internet, resultado de pesquisas (senso, entre outras); pesquisa e leitura de registro de situações cotidianas: observação da vivência comunitária das associações da comunidade brasileira em Boston (“Centro do imigrante brasileiro”, “Conselho dos cidadãos”, entre outras).
Esse trabalho estruturou-se a partir da idéia de identidade pensada como “uma produção que nunca se completa”, que está sempre em processo, que é construída e está sempre em constante construção. Como resultado dessa construção e da possibilidade de interação entre identidades, pensamos a aqui denominada “identidade transnacional”, que é explicada como o produto – em constante modificação e interação – da hibridação de culturas distintas. Nessa pesquisa, o caso específico é o da comunidade de imigrantes brasileiros residentes da região da Grande Boston, implicando na hibridação da cultura brasileira com a norte-americana.
Pode-se entender que a possibilidade de ir e vir do migrante é análoga ao movimento de um pêndulo, que pode assumir diferentes lugares e adquirir diferentes velocidades. Sabendo-se que é difícil precisar o posicionamento do pêndulo em movimento, pode-se entender a complexidade em se limitar uma identidade, uma vez que ela está em constante processo de construção, nunca parada, mas, sempre transnacionalizando-se.
O plano de monografia apresenta um estudo de caso sobre a comunidade dos imigrantes brasileiros, residentes hoje na região da Grande Boston (que concentra uma significativa quantidade de migrantes brasileiros), provenientes da região leste de Minas Gerais, principalmente da cidade de Governador Valadares. Essas pessoas migraram no em maiores quantidades durante a década de 1980 e hoje têm em grade parte, de 10 a 20 anos de “América”, ou seja, o exemplo dessa identidade transnacional, resultante do convívio simultâneo de dois mundos formou um ambiente indistinguível, sem fronteiras, transnacional.
A identidade transnacional para os migrantes é definida como um processo pelo qual os imigrantes elaboram e sustentam relações sociais multi-entrelaçadas que juntam as suas sociedades de origem e recepção. Esses processos são chamados de transnacionais para dar ênfase ao fato de que muitos imigrantes, hoje, constroem campos que atravessam fronteiras geográficas, culturais e políticas. Esses migrantes são os denominados transmigrantes. (Sales, 1999)
Tendo-se como objeto de estudo a identidade transnacional existente nessa comunidade brasileira que se formou no norte dos EUA, buscar-se-á a análise da identidade da comunidade de imigrantes brasileiros que se formou dentro dos padrões americanos, mas, todavia, vivendo em “lares brasileiros”, um ambiente em que se convive com a cultura brasileira e é integrado por brasileiros, independente de onde esse lar esteja localizado. Esse estudo também procura focar a hibridação das culturas brasileira e americana resultante das experiências vivenciadas por esses migrantes, as assimilações e ressignificações sociais, econômicas, políticas e especialmente culturais que fazem parte da formação da identidade dessas pessoas.
A Monografia apresenta-se em três capítulos, sendo que o primeiro deles diz respeito à formação de Identidades híbridas. Isso se dá através da Identidade/ Identidade nacional que sofre alterações no sistema internacional, que ocasionam na quebra da identidade nacional. A partir daí verifica-se através de valores e símbolos que circulam pelo Sistema Internacional, das identidades novas e da relação dessa com a intersubjetividade, como foi possível essa quebra. Ou seja, traz a partir do desenvolvimento e da diversidade da idéia de identidade e da apresentação da relação dessa com cultura e comunidade, no âmbito das Relações Internacionais, a possibilidade de construção de uma identidade transnacional.
O segundo capítulo trata dos Fluxos Migratórios e relaciona esses à circulação de identidades. A partir de uma discussão geral dos fluxos migratórios, enfatiza-se a discussão de redes, focalizada sobre as chamadas redes sociais. Então, relata-se a o fenômeno da migração para os EUA, com enfoque nos fluxos migratórios provenientes de países subdesenvolvidos. Para isso, toma-se a discussão dos problemas de identidade, e da idéia de comunidades de origem e de comunidades de destino. Daí em diante, especifica-se o caso de pesquisa, através do fluxo migratório Brasil/ EUA, e mais precisamente das redes sociais que levam as pessoas da cidade de Governador Valadares para a região da grande Boston.
O último capítulo traz a formação da comunidade de imigrantes brasileiros na cidade de Boston, e os grupos de apoio que estão se desenvolvendo lá visando melhorar a qualidade de vida das pessoas dessa comunidade. Para isso descreve-se a diversidade de serviços e atividades que estes grupos desenvolve e como isso tudo tem repercussão no fortalecimento cultural e na construção da identidade desses brasileiros que vivem em Boston. Por fim, conclui-se a pesquisa através da percepção do processo de aculturação desses imigrantes, e da possibilidade de construção de uma identidade transnacional, aqui não comprovada.
Na opinião desta autora o trabalho lança um olhar sobre a força da identidade e da cultura brasileira presente em imigrantes que, mesmo estando a milhares de quilômetros de distância, buscam de várias maneiras adaptar seu lugar de destino de maneira a manter vivo seu sentimento de pertencimento a origem. Traz uma idéia interessante de adaptação e assimilação de novos padrões culturais e identitários, com o propósito de sobrevivência, de se ajustar num país diferente, alimentando a esperança de uma melhora das condições de vida no Brasil.
A partir daqui começam dados que eu tirei do globo repórter e gostaria de usar
Bandeiras, camisetas, bonés, churrasquinho e água de coco. Podia ser qualquer festa de rua no Brasil, mas fica a mais de sete mil quilômetros de casa, no Hemisfério Norte, em um subúrbio da Grande Boston. Brasileiros de todas as idades são imigrantes - a nova cara da diáspora brasileira. Eles saem do Brasil ao ritmo de cem mil por ano. Fogem do desemprego. Buscam um sonho - boa remuneração, casa própria, educação para os filhos - difícil de atingir.
Hoje, oficialmente, o número desses brasileiros transplantados para outras terras chega a dois milhões. A maioria se arrisca a viver ilegalmente em países do primeiro mundo. O preferido: Estados Unidos.
Brasileiro: brazilian. No maior dicionário da língua inglesa, a palavra virou sinônimo de depilação à cera para usar biquíni. O termo brazilian bikini wax foi inventado no J.Sisters (um famoso salão de beleza em Nova York, de proprietárias e funcionarias brasileiras). Nove entre dez estrelas de Hollywood vão aprender no salão os segredos da beleza da mulher brasileira.
Os imigrantes brasileiros vão levando os parentes. Criam famílias numerosas nos Estados Unidos. Nem o censo americano, nem as autoridades do Brasil sabem quantos brasileiros vivem nos Estados Unidos. O número oficial, 600 mil, é mera especulação. Pelo menos o dobro disso vive ilegalmente no país.
Desde 11 de setembro a situação dos imigrantes ilegais nos Estados Unidos piorou muito. A fila na imigração ficou gigantesca. É bem mais difícil tirar qualquer documento. Antes os brasileiros ilegais conseguiam a carteira de motoristas, que é o documento básico de identidade no país. Agora, tirar essa carteira ficou quase impossível.
Na região leste de Minas Gerais, a cidade de Governador Valadares, praticamente inventou a emigração brasileira para os Estados Unidos na década de 60 e até hoje continua exportando mão-de-obra para lá. Segundo um cálculo da prefeitura de Governador Valadares, para cada seis valadarenses que vivem hoje na cidade, existe pelo menos um morando e trabalhando no exterior, principalmente nos Estados Unidos.
Por todo lado, há sinais exteriores de riqueza de quem trabalha no exterior. Um bairro de classe média alta em Governador Valadares foi quase todo construído com o suor de brasileiros derramado longe de casa. O corretor de imóveis João Lomeu faz 60% dos seus negócios com valadarenses "estrangeiros". Só em uma obra, 20 trabalhadores constroem para investidores que hoje vivem na Inglaterra e nos Estados Unidos. Imóveis para alugar: pé-de-meia preferido dos emigrados.
O que é ser brasileiro1999 Aqueles que deixaram o Brasil e foram tentar a sorte bem longe de casa enfrentam um desafio: manter a identidade, a cultura brasileira, numa terra estranha. O samba cantado e desfilado nas ruas de Boston diverte, aproxima, faz os brasileiros que vivem fora se sentirem mais perto de casa. Uma maneira de matar as saudades.
Na avenida, a porta-bandeira encanta os nova-iorquinos. Nancy Bastos é uma carioca que trabalha na atividade mais comum entre as imigrantes brasileiras. “Comecei fazendo faxina. Ainda estou na faxina, mas também já faço trabalho de baby sitter, acompanho uma senhora de 92 anos quatro vezes por semana e até danço de porta-bandeira”, ela conta.


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